Diretor do CPP é impedido de concluir agenda institucional após tensão sobre reforma do ECA em escola de Assis
18
Mai
Diretor do CPP é impedido de concluir agenda institucional após tensão sobre reforma do ECA em escola de Assis
Uma agenda institucional do Centro do Professorado Paulista (CPP) terminou em uma ação truculenta e violenta nesta quarta-feira (13), em uma escola pública estadual de Assis, no interior de São Paulo.
O Diretor Geral Administrativo da entidade, Alessandro Soares, foi impedido de concluir sua apresentação aos profissionais da educação após ser interrompido por dois docentes. O foco do desentendimento foi a menção a um debate sobre a reforma do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O encontro, que visava apresentar serviços e ações de valorização da categoria, transcorria normalmente até Soares sugerir a abertura de uma discussão sobre mecanismos de proteção aos professores. Segundo o CPP, o diretor-geral defendia a mobilização da categoria em torno do equilíbrio entre direitos e deveres de alunos e docentes, com o objetivo de neutralizar a violência dentro das escolas, e mencionou a possibilidade de um abaixo-assinado para debater alterações no ECA voltadas à ampliação da segurança jurídica e física dos profissionais da educação.
A proposta gerou reação imediata de dois membros do corpo docente da rede estadual, um professor e o vice-diretor, que interromperam a fala de Soares e impediram a continuidade da agenda.
De acordo com o CPP, o diretor acabou sendo impedido de manifestar livremente seu pensamento e retirado da unidade, situação que causou indignação entre professores presentes que se posicionaram favoravelmente à proposta.
“O ambiente escolar deve ser, acima de tudo, um espaço democrático e de debate respeitoso. O que propusemos foi uma reflexão necessária sobre a proteção jurídica de quem está na linha de frente do ensino, e é lamentável que o diálogo tenha sido cerceado. No entanto, esse episódio apenas reforça a urgência de discutirmos, com equilíbrio, como garantir segurança e dignidade para que o professor possa exercer sua profissão sem medo e com respaldo institucional”, afirma Alessandro Soares, Diretor Geral Administrativo do CPP.
Violência nas escolas
O debate sobre a segurança nas escolas tem ganhado força nos últimos meses em São Paulo, com entidades de classe buscando novas formas de respaldo institucional diante de casos de indisciplina e violência.
Em nota, o CPP manifestou repúdio ao ocorrido, classificando o episódio como um cerceamento ao debate. A entidade reforçou que a discussão sobre o ECA não é um ataque à legislação, mas uma busca por meios de mitigar a violência contra o professor, tema que tem sido pauta prioritária da instituição.
“O CPP respeita a pluralidade de opiniões, mas entende que atitudes de interrupção abrupta não representam os valores de uma categoria que tem o diálogo como base”, afirmou a entidade em comunicado. Alessandro Soares pontuou que a intenção era ouvir a base sobre as dificuldades enfrentadas no cotidiano das salas de aula.
O CPP reforçou ainda que manterá sua agenda de visitas às escolas paulistas, reiterando seu compromisso com a transparência e a defesa dos direitos dos profissionais da educação, independentemente de divergências ideológicas.
Leia abaixo a íntegra da nota:
CPP repudia interrupção de apresentação institucional durante agenda em Assis
O Centro do Professorado Paulista (CPP) manifesta repúdio ao cerceamento sofrido pelo seu Diretor Geral Administrativo, Alessandro Soares, durante agenda institucional realizada nesta quarta-feira (13), em uma escola pública estadual na cidade de Assis. A entidade lamenta que o espaço de diálogo, essencial ao ambiente educacional, tenha sido interrompido de forma abrupta enquanto se discutiam pautas fundamentais para a categoria.
A agenda tinha como objetivo apresentar os benefícios e as ações desenvolvidas pelo CPP em prol dos docentes. No encontro, Soares mencionou a abertura de um debate — passível de formalização via abaixo-assinado para os interessados — acerca de uma possível reforma do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A proposta visa discutir mecanismos legais que garantam maior segurança e proteção aos professores no exercício de suas funções, ponto central das preocupações atuais da classe.
O CPP reforça que a apresentação foi interrompida por dois docentes, impedindo a continuidade da exposição de ideias. A entidade reitera seu respeito absoluto à pluralidade de opiniões e ao direito ao contraditório, princípios que formam a base da educação democrática. No entanto, o CPP ressalta que atitudes de intolerância ao debate não condizem com os valores da instituição nem com o comportamento esperado no ambiente acadêmico.
A entidade seguirá atuando de forma transparente e aberta ao diálogo, mantendo seu compromisso inabalável com a valorização e a proteção jurídica e institucional dos profissionais da educação paulista.
Profº Silvio dos Santos Martins
Presidente do Centro do Professorado Paulista
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